Insuficiência ovariana prematura – Um olhar atual

A insuficiência ovariana prematura (IOP) é uma condição complexa que afeta a função ovariana antes dos 40 anos, sendo essencial um diagnóstico precoce para possibilitar tratamentos adequados e preservar a fertilidade.

Introdução

A insuficiência ovariana prematura é definida como a deficiência dos hormônios sexuais ovarianos(estrogênio)e a diminuição da reserva ovariana antes dos 40 anos. A comete 1% das mulheres com 40 anos ou menos e 0,1% das mulheres com 30 anos ou menos. Sua etiologia engloba causas imunológicos, genéticas e hábitos de vida. O diagnóstico precoce possibilita um tratamento adequado, maior chance de preservação da fertilidade e resultados reprodutivos melhores.

Objetivo

Determinar qual o melhor momento para se iniciar a investigação de insuficiência ovariana prematura, como realizar essa investigação, e quais são os agentes causadores.

Métodos

Pesquisa de estudos na base Medline, através do PubMed.

Resultados

Estudos mostram que o momento oportuno para investigar a insuficiência ovariana prematura é quando nos deparamos com mulheres apresentando irregularidade menstrual (oligo ou amenorreia) por mais de 3 meses, queixas climatéricas e infertilidade. A investigação deve ser realizada através da dosagem de FSH > 25UI/L em 2 medições com intervalo de 4-6 semanas, além da dosagem de AMH em situações de incerteza diagnóstica. Sua etiologia ainda é desconhecida em 70-90% dos casos, envolvendo causas complexas e multifatoriais. Em um estudo caso controle de 2022, foi observado que alterações na microbiota do trato vaginal estão relacionadas à reserva ovariana reduzida, desregulação endócrina e sintomas da síndrome da perimenopausa. O tabagismo também tem efeitos adversos na fertilidade feminina e é um fator de risco reconhecido para IOP. O painel genético e o sequenciamento completo do exoma têm aumentado a determinação do diagnóstico etiológico de 11% para 41%, facilitando a predição de risco para IOP.

Conclusão

Observou-se um aumento gradual na ocorrência de IOP, ainda com etiologia heterogênea, com apenas uma pequena porcentagem podendo ser explicada pelos genes de IOP atualmente conhecidos. A compreensão das causas genéticas trouxe uma melhora do prognóstico e do potencial de fertilidade.

Referências bibliográficas

Premature Ovarian Insufficiency: Past, Present and Future. Seung JooChon, Zobia Umair, eu-Seup Yoon. 2021 May 10

ESHRE. Evidence-based GUIDELINE: Premature ovarian insufficiency,2024

Premature ovarian insufficiency: a review on the role of tobacco smoke,its clinical harm, and treatment. Jinghan Cui and Ying Wang. 2024August 17

Vaginal Microbiota Changes in Patients With Premature OvarianInsufficiency and Its Correlation With Ovarian Function Jingyi Wen,Yanzhi Feng, Wei Yan, Suzhen Yuan, Jinjin Zhang, Aiyue Luo and ShixuanWang. 2022 February 22

Can we predict menopause and premature ovarian insufficiency? Joop S.E., Laven M. D., Ph. D., Yvonne V. Louwers, M. D., Ph. D. 2024 February 18

Publicado por
Cassiane Cândido de Almeida

Publicado por
Ana Maria Larotonda Vieira Crosera

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Marise Samama

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Diego Azambuja

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Natalia Amaral Dias Uchiyama

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