Introdução
A síndrome ovários policísticos (SOP) é uma desordem prevalente que afeta a saúde das mulheres e transcende a idade reprodutiva. A SOP foi inicialmente descrita em 1935, referindo-se a associação entre amenorreia e ovários policísticos. O termo SOP não reflete a real complexidade da síndrome e nas últimas décadas, esforços foram feitos para classificar a síndrome. A primeira classificação da síndrome ocorreu em 1990, nos EUA: hiperandrogenismo bioquímico ou clínico + oligo/amenorreia. Em 2003 adicionou-se aos critérios anteriores, as características ultrassonográficas do ovário policístico, necessitando para diagnóstico, presença de 2 dos 3 critérios. Em 2012 foi realizada extensão do consenso de 2003 e foi recomendado o uso da classificação por fenótipos.
Objetivo
Objetivo deste artigo é revisar a classificação fenotípica da SOP.
Métodos
Pesquisa de artigos publicados na base de dados PubMed.
Resultados
A SOP afeta 8-13% de mulheres em idade reprodutiva. A etiologia envolve suscetibilidade genética, exposição ao androgênio precoce e obesidade. Os critérios diagnósticos envolvem oligo/amenorreia; hiperandrogenismo clínico/bioquímico e ovários policísticos. Para fechar o diagnóstico devem estar presentes pelo menos 2 dos 3 critérios, após excluídas as causas secundárias de hiperandrogenismo.
Os fenótipos da SOP são divididos em quatro grupos. Fenótipos A e B (SOP clássica) presença de disfunção menstrual mais pronunciada, aumento dos níveis de insulina, taxas mais altas de resistência a insulina, maior risco de síndrome metabólica, maior prevalência de obesidade, formas mais graves de dislipidemia aterogênica, maior risco de esteatose hepática e níveis mais elevados de AMH. Fenótipo C (SOP ovulatória) tem como característica níveis intermediários de androgênios séricos, insulina, lipídios, escores de hirsutismo e de prevalência da síndrome metabólica. Fenótipo D (SOP não hiperandrogênica) presença de alterações endócrinas e metabólicas mais leves, menor prevalência de síndrome metabólica, menor índice LH/FSH, menores níveis de testosterona total e livre, maiores índices de SHBG e maior prevalência de mulheres com ciclos regulares alternados com ciclos irregulares.
Uma revisão sistemática com 60 estudos avaliou a prevalência e a gravidade de alterações metabólicas em pacientes em idade reprodutiva com diferentes fenótipos de SOP. Concluíram que a síndrome metabólica é mais prevalente em fenótipos hiperandrogênicos, que o fenótipo A é o menos favorável, que no fenótipo não androgênico o perfil metabólico e semelhante ao de mulheres saudáveis e que a circunferência abdominal é maior em todos os fenótipos em comparação com o grupo controle.
Outro estudo avaliou 1.313 pacientes com SOP submetidas a ciclos de FIV/ICSI e concluiu que as pacientes com fenótipo A tem maior nível de AMH. Os fenótipos hiperandrogênicos tem valores maiores de índice LH/FSH, AMH, HOMA, síndrome metabólica e de número de oócitos recuperados. Dentro do grupo HA, não foi observada diferenças significativas nos desfechos obstétricos. O AMH pode ser considerado marcador da gravidade da SOP. O fenótipo ovulatório C apresenta probabilidade relativamente alta de gravidez espontânea.
Outro estudo retrospectivo avaliou se pacientes com diferentes fenótipos de SOP tratadas com mio-inositol poderiam apresentar respostas diferentes ao tratamento. A administração de mio-inositol induziu uma melhora significativa nos parâmetros metabólicos e endócrinos na SOP hiperandrogênica, enquanto os efeitos na não hiperandrogênica foram insignificantes.
Conclusão
A abordagem fenotípica é útil para identificar as mulheres com SOP que apresentam maior risco de disfunção metabólica. A classificação fenotípica permite a realização de pesquisas epidemiológicas e ensaios clínicos, pois permite ao pesquisador categorizar os resultados permitindo comparação com outras populações. O mesmo tratamento com mio-inositol pode não melhorar igualmente os parâmetros da condição de SOP em cada fenótipo. Fenótipos HA tem maior prevalência de síndrome metabólica, sendo que o fenótipo A é o menos favorável.
Resumo para leigos
Introdução
A síndrome ovários policísticos (SOP) é uma desordem prevalente que afeta 8-13% de mulheres em idade reprodutiva. A causa indica suscetibilidade genética, exposição ao hormônio masculino precocemente e obesidade. Os critérios diagnósticos são a irregularidade menstrual; aumento dos hormônios masculinos e ovários policísticos no exame deultrassonografia. Para fazer o diagnóstico devem estar presentes pelo menos 2 dos 3 critérios após excluídas as causas secundárias de aumento de hormônios masculinos.
Objetivo
Objetivo deste artigo é revisar a classificação de tipos da SOP.
Métodos
Pesquisa de artigos na base de dados PubMed.
Resultados
Os tipos genéticos da SOP sãoo divididos em quatro grupos. Fenótipos A e B (SOP clássica): alterações menstruais pronunciadas, aumento dos níveis de insulina, taxas mais elevadas de resistência a insulina e maior risco de síndrome metabólica, maior prevalência de obesidade, formas mais graves de gordura nas artérias, maior risco de gordura no fígado e níveis mais elevados de AMH. Fenótipo C (SOP ovulatória): níveis intermediários de hormônios masculinos no sangue, insulina, lipídios, aumento de pelo no corpo e da alteração do metabolismo do açúcar e gorduras . Fenótipo D: alterações endócrinas e metabólicas mais leves, menor alteração metabólica, menor índice de hormônios que estimulam a ovulação, menores níveis de testosterona, e maior prevalência de mulheres com ciclos regulares alternados com ciclos irregulares.
Conclusão
A abordagem do tipo genético é útil para identificar as mulheres com SOP que apresentam maior risco de alteração metabólica. Fenótipos com aumento de hormônios masculinos tem maior prevalência de síndrome metabólica, sendo que o fenótipo A é o menos favorável.
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