Introdução: A adenomiose é doença ginecológica caracterizada pela presença de glândulas e estroma endometrial no miométrio, associada a sangramento uterino anormal, dismenorreia, dor pélvica crônica e infertilidade. Durante muitos anos, seu diagnóstico dependia de confirmação histológica após histerectomia. O avanço dos métodos de imagem possibilitou diagnóstico não invasivo e mais precoce. Nesse contexto, apesar da padronização ultrassonográfica proposta pelo grupo MUSA (Morphological Uterus Sonographic Assessment) representar importante progresso na uniformização diagnóstica, existem ainda controvérsias quanto aos critérios diagnósticos e ao melhor exame diagnóstico. Definir o melhor exame inicial é fundamental para ampliar acesso e reduzir atraso terapêutico.
Objetivo: Debater qual deve ser considerada o exame padrão e preferencial no diagnóstico da adenomiose.
Métodos: Revisão narrativa baseada em estudos indexados na Medline/PubMed e artigos de revisão recentes sobre diagnóstico clínico e por imagem da adenomiose.
Resultados: A ultrassonografia transvaginal (USTV) é amplamente disponível, de menor custo e permite avaliação dinâmica do útero, sendo considerada método de primeira linha. Os principais achados incluem espessamento assimétrico do miométrio, cistos intramiometriais, sombreamento em leque, linhas subendometriais ecogênicas e vascularização translesional. Estudos relatam sensibilidade entre 65–81% e especificidade entre 65–100%. A revisão sistemática de Alcázar et al. (2022) demonstrou desempenho semelhante entre USTV e ressonância magnética (RM), sem diferença estatisticamente significativa. A RM apresenta maior padronização anatômica, melhor avaliação da zona juncional e é recomendada como segunda linha em casos inconclusivos, com sensibilidade de 88–93% e especificidade de 67–91%. Apesar dos avanços, persistem limitações relacionadas à variabilidade do examinador e ausência de uniformidade diagnóstica.
Conclusão: A USTV permanece como exame inicial preferencial no diagnóstico da adenomiose. A RM deve ser reservada para casos duvidosos ou complexos. São necessários critérios mais padronizados.
2. RESUMO PARA LEIGOS
Cólica forte e sangramento intenso não é normal: adenomiose pode ser a causa
Muitas mulheres convivem por anos com cólicas fortes, menstruação intensa, dor nas relações sexuais ou dificuldade para engravidar sem saber a causa. Como ajudar?
Uma das possibilidades é a adenomiose, doença em que o tecido que normalmente reveste o útero cresce dentro da parede muscular uterina. Hoje, o diagnóstico pode ser feito sem cirurgia, principalmente por meio do ultrassom transvaginal, exame acessível, rápido e bastante útil quando realizado por profissional experiente. Em alguns casos, a ressonância magnética pode ser solicitada para confirmar dúvidas ou avaliar situações mais complexas. Descobrir a adenomiose precocemente é importante porque existem tratamentos capazes de melhorar a dor, controlar o sangramento e preservar a fertilidade, dependendo do caso e da idade da paciente.
Se você apresenta cólicas incapacitantes, fluxo menstrual muito intenso, dor pélvica frequente ou dificuldade para engravidar, procure avaliação ginecológica. Sofrer com a menstruação não deve ser considerado normal. O diagnóstico correto pode mudar sua qualidade de vida.
Referências Bibliográficas
Chapron C, Vannuccini S,Santulli P, et al. Diagnosing adenomyosis: an integrated clinical and imaging approach. Hum Reprod Update.2020; 26(3):392-411.
Celli V, Dolciami M, Ninkova R, et al. MRI and Adenomyosis: What Can Radiologists Evaluate? Int J Environ Res Public Health. 2022; 19:5840.
Alcázar JL, Vara J, Usandizaga C, et al. Transvaginal ultrasound versus magnetic resonance imaging for diagnosing adenomyosis: Asystematic review and head-to-head meta-analysis. Int J Gynecol Obstet. 2022;161:397-405.
Biasioli A, Degano M, Restaino S, et al. Innovative Ultrasound Criteria for the Diagnosis of Adenomyosis and Correlation with Symptoms. Biomedicines. 2024; 12:463.
Cetera GE, Tozzi AE, Chiappa V, et al. Artificial Intelligence in the Management of Women with Endometriosis and Adenomyosis. J Clin Med. 2024; 13:2950.
Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=NCkGtkiC4G0



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